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«FICHA TÉCNICA Título Segurança e Higiene Ocupacionais - SHO 2012 - Livro de Resumos Autores/Editores Arezes, P., Baptista, J.S., Barroso, M.P., ...»

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A aprendizagem organizacional com a sinistralidade laboral é um processo, e, como tal, também pode estar sujeita à existência de situações que limitem ou impeçam uma efetiva conclusão do ciclo processual. São vários os exemplos retratados na literatura que evidenciam a existência de um conjunto diversificado de situações que podem funcionar como entraves ou barreiras à aprendizagem organizacional com a sinistralidade laboral. Por exemplo, Perrow (1984) evidenciou que o feedback técnico da experiência de acidente é, por vezes, ambíguo ou, simplesmente, não é realizado (défices ao nível da comunicação), que os acidentes de trabalho também podem ser um contexto altamente politizado (jogo de interesses) e que o sigilo ou ocultação de acontecimentos, por razões de culpa, responsabilização e penalização, impede que muitas situações sejam conhecidas. Outro exemplo bastante retratado é o estudo de Vaughan (2005) sobre os acidentes com as naves Challenger e Columbia da NASA (National Aeronautics and Space Administration). O autor

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demonstrou semelhanças entre os acidentes ocorridos com dezassete anos de diferença, evidenciando como a aprendizagem organizacional foi, em determinada medida, inibida pelas características do sistema organizacional da empresa.

São situações como as referidas que funcionam como entrave à aprendizagem organizacional com a sinistralidade laboral. Com o presente trabalho pretende-se evidenciar, através do estudo de caso realizado numa empresa de metalomecânica, outros exemplos práticos de barreiras à concretização de uma efetiva aprendizagem com os acidentes e incidentes de trabalho. No ponto seguinte vai-se sintetizar os procedimentos metodológicos que permitiram chegar aos resultados obtidos.

3. MATERIAIS E MÉTODOS Para se compreender em que medida os processos de aprendizagem organizacional com a sinistralidade laboral se encontram instituídos numa organização torna-se necessário analisar como essa mesma organização (e as partes que integra), percebe, interpreta e utiliza o volume de informação que está intrínseco a qualquer acontecimento perigoso. Essa situação implica que esses acontecimentos possam ser alvo de uma reflexão e uma análise, tanto no plano individual como no plano institucional. Para se concretizar esses exercícios considera-se vital contemplar cinco extensões analíticas distintas. Cada uma destas extensões deve ser perspetivada de uma forma dialética, isto é, na relação que estabelece com a realidade organizacional e seus agentes. Deve-se ter em consideração o que está estipulado em termos de quadro legislativo (exigências legislativas), qual o nível de sinistralidade setorial, qual a experiência de sinistralidade das/os trabalhadoras/es (seja enquanto vítima, seja enquanto testemunha), quais os processos instituídos de análise dos incidentes e acidentes na organização (declarados e realizados) e quais as representações das/os trabalhadoras/es sobre a forma como a empresa lida com a possibilidade de aprender com a sinistralidade laboral.

Estas extensões de análise favorecem a verificação dos elementos que potenciam ou entravam uma efetiva aprendizagem organizacional com a sinistralidade laboral. Para se poder concretizar esses intuitos torna-se necessário cumprir com um amplo plano de recolha e tratamento de dados. Pode-se resumir a abordagem a cinco tipos de procedimentos: (i) análise de documentos externos à organização (exemplo: relatórios setoriais, estatísticas oficiais, legislação); (ii) análise de relatórios internos (exemplo: documentos de procedimentos do sistema de gestão de SST); (iii) inquérito por entrevista às/aos responsáveis institucionais; (iv) diagnóstico estrutural das condições de SST, tendo por base a aplicação do SafetyCard (scorecard para sistemas de SST) (Neto, 2009); e (v) inquérito autoadministrado para determinar as perceções e atitudes individuais de SST das/os trabalhadoras/es.

Este plano metodológico pode ser aplicado a qualquer organização, podendo, no entanto, serem necessários ajustamentos na forma como é implementado. Um dos estudos de caso já concluídos onde foi aplicada esta metodologia diz respeito a uma empresa de fabricação de estruturas de metálicas que tem a sua sede no Distrito do Porto. Para salvaguardar a identidade da empresa utilizar-se-á o nome fictício de Stigma. É uma empresa do setor da metalomecânica que tem projeção nacional e internacional. Em 31 de dezembro de 2009 a empresa tinha ao seu serviço 343 pessoas. Com os devidos ajustamentos, os procedimentos de recolha de dados foram todos aplicados. Relativamente às entrevistas, foram auscultados um administrador, o responsável dos serviços de SST, o responsável pela gestão de recursos humanos, a responsável pelos serviços de saúde do trabalho, uma representante das/os técnicas/os de SST e dois representantes das/os trabalhadoras/es. No que concerne com o inquérito às/aos trabalhadoras/es, importa referir que foram validados 130 inquéritos, o que corresponde a uma taxa de resposta de 37,9%.

4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Tendo por base as cinco extensões analíticas mencionadas, vai tentar-se enunciar alguns dos resultados obtidos na empresa Stigma. Foi possível verificar a existência de uma prática instituída de “levantamento dos auto de ocorrência” e de análise dos acidentes com baixa e sem baixa. Com esses elementos eram elaborados relatórios relativos à investigação realizada e efetuado o controlo estatístico da sinistralidade. A empresa costumava efetuar o registo dos acidentes de trabalho, mas ainda não realizava a análise dos incidentes, apenas se focalizava nas situações que acarretavam dano comunicado para a capacidade de desempenho das/os trabalhadoras/es. Todavia, foi indicado que era uma situação pensada e que a continuidade da evolução dos serviços poderia permitir que fosse integrado um procedimento de registo mais abrangente.





Os acidentes de trabalho registados eram alvo de análise e sujeitos à elaboração de um relatório de ocorrência. Os serviços procuravam perceber o que aconteceu e o que falhou no sistema de segurança para a existência da ocorrência em análise. Procuravam recolher elementos relativos ao cenário da ocorrência e a testemunhos sobre a situação verificada (vítimas e testemunhas). Apesar de se ter registado todo um modus operandis em termos de avaliação das ocorrências, não se evidenciou a existência de um procedimento formal de entrega e discussão do relatório com a(s) vítima(s). No entanto, mesmo não se evidenciando um procedimento formal de divulgação e discussão, foi possível reter algumas intervenções que, por vezes, eram realizadas. Por um lado, no decurso dos processos de entrevista com as/os visadas/os acabavam por ocorrer intervenções informais de análise e comentário da ocorrência, em que as/os técnicas/os procuravam fornecer informação e fazer sensibilização com o intuito de evitar reincidências. Por outro lado, determinadas ocorrências obrigavam a que fossem programadas ações de formação e informação às pessoas que estivesse sujeitas a situações semelhantes. O tipo de intervenção dependeria do tipo de ocorrência, sendo definida nesse âmbito. Na prática, a conjugação de abordagens salvaguardava, de certa forma, alguma aprendizagem organizacional com as ocorrências.

O grau de preocupação com o nível de sinistralidade interno era influenciado pela condição de maior proximidade ou afastamento com o nível de sinistralidade setorial. Era um aspeto que estava presente no discurso das/os entrevistadas/os, acabando, de certa forma, por contribuir para determinar o nível de disponibilidade para intervir e para aprender com a sinistralidade. A empresa não tinha índices de frequência elevados. O índice de incidência encontrava-se bastante abaixo do referencial sectorial. Os maiores problemas verificavam-se, em especial nos dois últimos anos, ao nível dos índices de gravidade. O número de dias úteis perdidos devido a acidentes tinha aumentado.

A amostra de trabalhadoras/es inquiridos revelou que 49 pessoas já tinham sido, pelo menos uma vez, vítimas de acidente de trabalho e/ou de doença profissional ao longo da sua carreira. Esta situação criava um cenário particular, na medida em que cerca de 40% da amostra evidenciou um histórico de sinistralidade, sendo que cerca de 1/4 dessa proporção dizia respeito a pessoas que registaram ocorrências quer na empresa, quer noutros locais onde trabalharam. Ou seja, existia todo um histórico de sinistralidade para uma fação significativa de pessoas que trabalhavam na empresa. Sendo esse histórico ainda mais relevante se for tido em conta o facto de uma parte desses sinistrados terem comunicado que não se verificou uma avaliação da ocorrência em que estiveram envolvidos (26,2%) e que não receberam qualquer informação e/ou formação sobre o acontecimento (32,3%), contribuindo para que essas pessoas continuassem com os mesmos recursos para evitar situações semelhantes no futuro.

O inquérito também permitiu registar que a maioria das pessoas defendia que os acidentes verificados na empresa tinham servido para aumentar as condições de SST (82,2%) e que a maioria das pessoas evitava participar os pequenos acidentes de trabalho (70,7%). Ou seja, revelou antagonismo de aprendizagem, porque por mais que as/os próprias/os trabalhadoras/es reconhecessem alguma evolução, na prática essa aprendizagem era bastante relativa, na medida em que parte dos acidentes ocorridos serviam, no máximo, para aprendizagem individual, já que as pessoas não os comunicavam e não existia uma reflexão partilhada.

5. NOTAS FINAIS A aprendizagem organizacional com a sinistralidade impõe que uma organização disponha de mecanismos que lhe permita criar e aproveitar conhecimentos e que seja capaz de suscitar mudanças comportamentais por via desses conhecimentos (Neto, 2011). Quando essas capacidades e mecanismos não se encontram devidamente instituídos, os entraves à aprendizagem podem ser significativos, porventura até definitivos.

Com o estudo de caso realizado foi possível evidenciar um conjunto de fatores que funcionavam como entrave à aprendizagem organizacional com a sinistralidade laboral, explicitando, claramente, como são necessários um conjunto de recursos e vontades para que este tipo de processos se possam desenvolver com sucesso. Através do estudo da Stigma foi possível verificar que, apesar da empresa querer aproveitar os acontecimentos indesejados para melhorar e evitar recorrências, existiam um conjunto de situações que estavam a limitar a sua capacidade de aprendizagem. Por exemplo, a inexistência de um hábito generalizado de comunicação de determinados acidentes, o não registo e análise técnica dos incidentes e acidentes de menor dimensão, a falta de procedimentos sistematizados de divulgação e discussão das ocorrências com as pessoas interessadas, a falta de procedimentos sistematizados de formação e/ou informação sobre como evitar reincidências, a reduzida capacidade de autoaprendizagem por parte de alguns agentes.

Situações como as retratadas deixam transparecer que os entraves à aprendizagem organizacional com a sinistralidade laboral podem ser de natureza diversa. Com os elementos explorados neste caso foi possível verificar que existiam, essencialmente, três tipos de entraves: barreiras estruturais (relacionadas com a definição e funcionamento do sistema organizacional), barreiras interindividuais (relacionadas com o sistema de interação e de partilha de experiências e saberes) e barreiras intraindividuais (relacionadas com a representação sobre os mecanismos internos de responsabilização, a importância efetiva das próprias ações e o estatuto detido).

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Neto, H. V. (2011). Portfólio sócio-organizacional de segurança e saúde no trabalho e a aprendizagem organizacional com os acidentes de trabalho, In H. V. Neto; J. Areosa; P. M. Arezes (Org.) – Actas Congresso RICOT 2011 / RICOT 2011 Congress Proceedings (N.º 56, pp. 1-4), Porto: IS-FLUP.

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Perrow, C. (1984). Normal accidents. Living with High-Risk Technologies. New Jersey: Princeton University Press.

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Veloso, L. (2009). Aprendizagem e identificação: o espaço das empresas. Estudo sociológico num grupo empresarial português.

Porto: Edições Afrontamento.

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Métodos convencionais e biologia molecular – Metodologias complementares para conhecer a exposição profissional a fungos Conventional methods and molecular biology – complementary methodologies to determine occupational exposure to fungi Viegas, Carlaa, Malta-Vacas, Joanab, Sabino, RaquelC a

Área Científica de Saúde Ambiental, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, email:

carla.viegas@estesl.ipl.pt; b Área Científica de Biologia, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa, e-mail:

joana.vacas@estesl.ipl.pt; cLaboratório de Micologia, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, e-mail:

raquelsabino@hotmail.com

1. INTRODUÇAO A contaminação por fungos nos ambientes ocupacionais é um dos principais factores que afectam a saúde dos trabalhadores sendo essencial, por esse motivo, a criação de medidas que visem a limitação da sua disseminação nos diferentes settings profissionais (Lugauskas, Krikstaponis & Sveistyte, 2004).

No que concerne à determinação de riscos para a saúde provenientes dos agentes biológicos, a sua complexidade provém das diferenças na susceptibilidade individual e na diversidade das propriedades biológicas, fisiológicas ou genéticas dos próprios microrganismos, dificultando uma adopção universal de directrizes numéricas para níveis de exposição a fungos (Sigler, Abbott & Gauvreau, 1996). Apesar de já terem sido propostos valores limite para a contaminação fúngica do ar, estes valores não são consensuais devido não só à razão anterior, mas também devido à falta de uniformidade dos procedimentos inerentes à monitorização ambiental (Green, Tovey & Sercombe, 2006) e aos métodos laboratoriais.

Ao utilizar apenas os métodos convencionais (cultura das espécies fúngicas), os resultados podem ser subestimados devido a determinada temperatura de incubação ser inibidora do crescimento de algumas espécies fúngicas, podendo, no entanto, favorecer o crescimento de outras (Zorman & Jerseck, 2008). Além disso, e devido às diferentes taxas de crescimento dos diferentes fungos, poderá ainda ocorrer subestimação de dados, já que os que crescem mais rapidamente poderão inibir o crescimento dos outros. Por último, poderão ter sido colectados organismos não viáveis, ou que não cresçam nos meios de cultura utilizados no processamento laboratorial, e que possuem relevância clínica no contexto referido (Bartlett, Kennedy & Brauer, 2004; Strachan, Flannigan & McCabe, 1990).

Actualmente, a aplicação de metodologias moleculares na detecção e quantificação fúngica tem sido cada vez mais frequente. No entanto, e apesar dos métodos moleculares serem mais sensíveis, específicos e rápidos (Stetzenbach, Buttner & Cruz, 2004), quando se pretende conhecer a distribuição fúngica num contexto ocupacional ainda pouco estudado, os métodos convencionais são essenciais. A biologia molecular apenas permite verificar a existência ou não de fungos no ambiente e, posteriormente, a identificação de espécies específicas, pelo que requer o conhecimento prévio das espécies/estirpes que se pretende pesquisar. (Douwes, Thorne & Pearce, 2003). Além disso, os custos associados às técnicas de biologia molecular são bastante elevados, as informações disponíveis ainda são escassas para algumas espécies fúngicas (Horner, 2003) e é ainda recomendada a confirmação da identificação fúngica por biologia molecular através dos métodos convencionais (Borman, 2009).

Ambos os métodos apresentam vantagens e limitações quando aplicados no contexto ocupacional, em que se pretende conhecer a exposição profissional a agentes biológicos. No entanto, quando aplicados conjuntamente, tornam-se ferramentas essenciais numa intervenção criteriosa.

De acordo com a American Industrial Hygiene Association (AIHA, 1996), a contaminação biológica de amostras ambientais com Aspergillus flavus e Aspergillus fumigatus requer a implementação de medidas correctivas. É de notar que, sendo uma das espécies de fungos saprófitos mais comum no ar, o Aspergillus fumigatus é responsável por aspergiloses graves, levando por vezes à morte dos indivíduos afectados (Yao & Mainelis, 2007). Por outro lado, o Aspergillus flavus é um complexo de espécies conhecidas como produtoras de micotoxinas (aflatoxina) (AIHA, 1996).

Com este estudo pretendeu-se conhecer a exposição profissional a fungos e, mais especificamente a distribuição dos fungos Aspergillus fumigatus e Aspergillus flavus numa exploração avícola, recorrendo, para o efeito, aos métodos convencionais e aos moleculares, de modo a obter resultados mais completos que permitam uma intervenção mais eficaz na melhoria das condições de trabalho.

2. MATERIAIS E MÉTODOS Foi realizado estudo descritivo numa exploração avícola, de modo a conhecer a respectiva contaminação fúngica no ar aplicando os métodos convencionais e a biologia molecular. No âmbito dos métodos convencionais foram colhidas 6 amostras de ar de 25 litros com o Millipore Air Tester (Millipore), através do método de impacto, à velocidade de 140 l/minuto, a um metro de altura, utilizando como meio de cultura malte com cloranfenicol (0.5%) para inibir o crescimento bacteriano.

Para a realização do processamento laboratorial através da biologia molecular obtiveram-se 6 amostras de 300L de ar interior utilizando o Coriolis Air sampler (Bertin Technologies) como colector, com um fluxo de 300 Lmin -1.e utilizando 10 mL de solução 0,5% Triton X-100 como solução de recolha. O DNA fúngico foi isolado das amostras utilizando o kit ZR Fungal/Bacterial DNA MiniPrep (Zymo Research) a partir de 5 ml de solução e a sua presença foi confirmada por PCR utilizando primers universais para fungos. A presença de fungos pertencentes ao complexo de espécies Aspergillus fumigatus e Aspergillus flavus (espécies toxinogénicas) foi investigada por PCR em Tempo Real recorrendo a primers e sondas TaqMan específicas e utilizando o iQ Real Time PCR Detections System (Bio-Rad).

As amostras colhidas, para aplicação dos dois métodos laboratoriais, foram realizadas em simultâneo em diferentes locais da exploração constituída por dois pavilhões e no exterior, próximo de cada um dos pavilhões, por ter sido considerado como o local de referência.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Verificou-se com os resultados obtidos através dos métodos convencionais que a frequência de fungos pertencentes ao complexo de espécies de Aspergillus flavus no ar foi de 72.0 %, tendo sido isolado em todas as amostras de ar colhidas.

No entanto, não foram isoladas espécies pertencentes ao complexo Aspergillus fumigatus em nenhuma das amostras colhidas, provavelmente devido a outras espécies presentes em cultura que apresentavam taxa de crescimento superior (Bartlett, Kennedy & Brauer, 2004; Strachan, Flannigan & McCabe, 1990).

É sugerido que os níveis fúngicos encontrados no ar interior sejam comparados, quantitativamente e qualitativamente, com os encontrados no ar exterior, pois os primeiros níveis estão dependentes dos últimos (Gelincik, Büyüköztürk & Gül, 2005; Bush & Portnoy, 2001). Nesse sentido, foi possível comparar quantitativamente (UFC/m3) a contaminação fúngica do interior com o exterior, verificando-se que num dos pavilhões as quatro amostras interiores apresentaram maior carga fúngica do que no exterior, à semelhança do estudo realizado por Lonc e Plewa (2009) e que no outro pavilhão o exterior apresentou maior número de UFC/m3. Relativamente à comparação qualitativa apenas se verificou uma espécie no interior diferente das isoladas no exterior de um dos pavilhões, designadamente Rhizopus sp..

Tratando-se de uma possível exposição profissional a fungos através da inalação, foi possível identificar quais os microrganismos que se encontram viáveis e que, por esse motivo, apresentam maior risco para a saúde dos trabalhadores (Samson, 2010).

Em relação à biologia molecular, constatou-se com os resultados obtidos, que apenas foram identificadas espécies pertencentes ao complexo Aspergillus section flavi em duas amostras de ar. Esta discrepância com os resultados culturais poderá ser explicada pela metodologia molecular adoptada, pois apenas se pesquisaram as estirpes toxinogénicas (produtoras de aflotoxina) dentro do grupo de espécies pertencentes ao complexo Aspergillus flavus, possibilitando também identificar uma possível exposição dos trabalhadores da exploração não só a fungos, mas também a micotoxinas. Em relação às espécies pertencentes ao complexo Aspergillus fumigatus, apesar de não terem sido identificadas com os métodos convencionais, em três das colheitas realizadas os resultados da biologia molecular foram positivos, o que se poderá dever ao facto de ter sido colhido um maior volume de ar através da metodologia de colheita de ar utilizado para pesquisa de DNA fúngico e, ainda, devido ao facto de os fungos detectados através desta metodologia não estarem sujeitos a inibições de crescimento. A biologia molecular permitiu também detectar a presença de partículas fúngicas não viáveis, cuja existência não é possível identificar em culturas.

4. CONCLUSÕES A aplicação dos métodos convencionais permitiu caracterizar a flora fúngica da exploração analisada e compará-la, quantitativamente e qualitativamente, com o local de referência (exterior), permitindo efectuar uma avaliação da contaminação fúngica do ar nos settings estudados. A utilização complementar dos métodos moleculares possibilitou suprimir algumas das limitações dos métodos culturais, detectando assim a presença de partículas não viáveis e identificando a potencial existência de estirpes fúngicas produtoras de micotoxinas.

5. REFERÊNCIAS American Industrial Hygiene Association (1996): Field Guide for the Determination of Biological Contaminants in Environmental Samples. AIHA.

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Gelincik, A., Buyukozturk, S. & Gul, H. (2005). The effects of indoor fungi on the symptoms of patients with allergic rhinitis in Istanbul. Indoor and Built Environment, 14: 5 (pp. 427-432).

Horner, W. (2003). Assessment of the indoor environment: evaluation of mold growth indoors. Immunology and Allergy Clinics of North America 23 : 3 (pp. 519-531).

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Occupational Safety and HygieneInternational Symposium on

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Samson, R., Hoekstra, E. & Frisvad, J. (2000). Introduction to food and airborne fungi. 6th ed. Utrecht : Centraalbureau voor Schimmelcultures, 2000.

Sigler, L., Abbott, S. & Gauvreau, H. (1996). Assessment of worker exposure to airborne molds in honeybee overwintering facilities.

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Influence of ventilation type in volatile organic compounds exposure – Poultry case Viegas, Susanaa, Monteiro, Anab, Manteigas, Vitorc, Carolino, Elisabeted,Viegas, Carlae a ESTeSL/IPL; CIESP – Centro de Investigação e Estudos em Saúde Pública, Escola Nacional de Saúde Pública, ENSP,

Universidade Nova de Lisboa,1600-560 Lisboa, Portugal; email: susana.viegas@estesl.ipl.pt; bESTeSL/IPL, e-mail:

c d

ana.monteiro@estesl.ipl.pt; ESTeSL/IPL, e-mail: vitor.manteigas@estesl.ipl.pt; ESTeSL/IPL, e-mail:

e elisabete.carolino@estesl.ipl.pt; ESTeSL/IPL, email: carla.viegas@estesl.ipl.pt

1. INTRODUCTION Agricultural workers especially poultry farmers are at increased risk of occupational respiratory diseases.

Epidemiological studies showed increased prevalence of respiratory symptoms and adverse changes in pulmonary function parameters in poultry workers (Iversen et al., 1989; Linaker & Smedley, 2002; Radon et al., 2001; Radon et al., 2002; Rylander & Carvalheiro, 2006; Cormier, 2007; Rimac et al., 2010; Rask-Andersen, 2011).

In poultry production volatile organic compounds (VOCs) presence can be due to some compounds produced by molds that are volatile and are released directly into the air. These are known as microbial volatile organic compounds (MVOCs). Because these compounds often have strong and/or unpleasant odors, they can be the source of odors associated with molds (Pasanen et al., 1996; Menetrez & Foarde, 2002; Van Lancker et al., 2008).

MVOC's are products of the microorganisms primary and secondary metabolism and are composed of low molecular weight alcohols, aldehydes, amines, ketones, terpenes, aromatic and chlorinated hydrocarbons, and sulfur-based compounds, all of which are variations of carbon-based molecules (Pasanen et al., 1996; Menetrez &Foarde, 2002; Van Lancker et al., 2008).

In primary metabolism, occurs the nutrients extract from environment that is needed for the maintenance of cell structures and, in the process, creates MVOC's as by-products. In secondary metabolism, the production of MVOC's is driven by the competition for resources in a nutrient-poor environment. MVOC's produced during primary fungal metabolism include ethanol, 1-octen-3-ol, 2-octen-1-ol, and benzyl cyanide. Some fungi can produce ethanol by fermentation. Others, such as Aspergillus niger, Aspergillus flavus, and Penicillium roqueforti are able to produce 1octen-3-ol. Aspergillus flavus can also produce 2-octen-1-ol which has been described as "a strong musty, oily odor"(Fischer et al., 1999; Fiedler et al., 2001; Calvo et al., 2002; Korpi et al., 2009).

MVOC's produced during fungal secondary metabolism include 2-methyl-isoborneol, geosmin (1-10-dimethyl-trans-9decalol), and terpenes. Penicillium aurantiogriseum and Penicillium vulpinum growing on oat substrate have been shown to produce terpenes. The greatest occurrence of MVOC production (especially terpenes) seems to coincide with spore formation and mycotoxin production as observed in species of Aspergillus and Penicillium (Fischer et al., 1999; Nielsen et al., 2004; Frisvad et al., 2007; Korpi et al., 2009).

Some studies (Radon et al., 2001; Radon et al., 2002) have demonstrated that a better control of ventilation can reduce workplace exposure to contaminants and thereby, diminish the occupational risk of respiratory diseases in agricultural workers.

The purpose of this research was to know the influence of ventilation resources (natural or mechanical) in VOCs concentrations and, consequently, in poultry workers exposure.

2. MATERIALS AND METHOD

Eleven pavilions from different poultry farms were studied between January and May 2011. VOCs concentrations were measured in all of them and ventilation resources existed in pavilions were listed and classified as natural or mechanical.

It was used Multirae equipment (RAE Systems) to measured VOCs concentration with a 10.6 eV lamps. The measurements were done near the workers nose and during routine management that covers a range of tasks including inspection, weighing, beak trimming, vaccination and others. All measurements were done continuously and had the duration of 5 minutes at least. It was consider the higher value obtained in each measurement.

3. RESULTS AND DISCUSSION

There wasn’t found statistical difference in VOCs concentration between pavilions with natural and mechanical ventilation after applying statistical test (Mann-Whitney Test). However, concentrations results demonstrate a tendency for pavilions with natural ventilation have higher VOCs concentrations (Table 1).

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According to the data obtained by several studies, fungi e.g. Candida albicans, Aspergillus niger, A. nidulans, Penicilium sp. and Mucor sp. Penicillium sp., Candida sp. and Cryptococcus sp. are prevalent in poultry houses (Agranovski et al., 2007; Crook et al., 2008; Lonc & Plewa, 2009; Soliman, 2009; Viegas et al., 2011) and all these fungi are known as VOCs producers (Fischer et al., 1999; Frisvad et al., 2007).

As in other studies, the type of ventilation resources influences exposure to VOCs. In this case, mechanical ventilation probably contributes to reduce VOCs concentration. There are many options but it seems that mixing natural with mechanical ventilation have the best results concerning to reduce exposure and guarantee animal health (HSE, 2009).

Moreover, using temperature and humidity as sensors of ventilation control is associated with reduced exposure to fungi, VOCs and other contaminants resulting from microbial presence (Radon et al., 2001).

4. CONCLUSIONS Ventilation of lifestock buildings has been demonstrate to be an important factor influencing exposure to VOCs and also exposure to other contaminants existing in this occupational setting. Although of small dimension, our study corroborates this influence.

Further studies are necessary to know specific VOCs present and, also, test the effect of ventilation resources in contamination by other risk factors (particles, bacteria and fungi).

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Acidentes de Trabalho em meio Hospitalar Accidents in the Workplace in Hospital Vieira, Cláudiaa, Góis, Joaquimb a Centro Hospitalar São João, E.P.E, Alameda Prof. Hernâni Monteiro, 4202-451 Porto, Portugal, claudia.vieira@hsjoao.min-saude.pt; b FEUP/CIGAR, R. Dr. Roberto Frias, 4200-465 Porto, Portugal, jgois@fe.up.pt

1. INTRODUÇÃO Nas instituições de saúde, os profissionais estão expostos a uma diversidade e multiplicidade de riscos ocupacionais que, por vezes, culminam com a ocorrência de acidentes de trabalho (AT). Estes acidentes, de diferentes naturezas, apresentam reflexos na actividade dos vários serviços, uma vez que acarretam consequências internas (instituição e funcionário) e externas (comunidade em geral). Numa fase em que a Organização Mundial de Saúde e a Organização Internacional do Trabalho apelam ao desenvolvimento de uma cultura de segurança preventiva, face ao aumento do número de acidentes de trabalho e doenças profissionais, torna-se fundamental analisar as causas que levam à ocorrência dos acidentes de trabalho para, posteriormente, serem propostas medidas que visem reduzir e/ou mesmo eliminar os acidentes. Neste sentido, o presente trabalho é um estudo descritivo e analítico sobre os AT ocorridos numa unidade hospitalar, procurando caracterizá-los e relacioná-los com os riscos profissionais. A população, alvo deste estudo, é constituída pelos profissionais que exercem actividade numa instituição hospitalar do Norte de Portugal. A amostra compreende todos os funcionários que efectuaram a participação dos AT no período de 1 de Outubro de 2007 a 1 de Outubro de 2008, num total de 300 registos. O tratamento exploratório da informação recolhida foi efectuado com o recurso a técnicas estatísticas no domínio da estatística multivariada, em particular através do uso da Análise Factorial das Correspondências (AFC). Procura-se, com esta metodologia, ir um pouco mais longe do que a habitual simples enumeração dos AT por categoria profissional, género, tipo de acidente, risco associado, parte do corpo atingida, local de ocorrência, dia da semana, etc. A abordagem proposta, abandonando a tradicional caracterização dos AT de “per se”, preconiza a visão conjunta, simultânea e necessariamente mais realista do sistema de inter-relações das variáveis e dos seus papéis na ocorrência dos AT.

2. MATERIAIS E MÉTODOS A recolha de informação, em particular a relativa às variáveis em estudo (vidé Tabela 1), foi efectuada pela consulta de dois modelos internos de participação dos AT (modelo de participação clínica do acidente em serviço e de participação do acidente em serviço). Considerou-se igualmente a informação obtida a partir da observação do local de acidente, a que resultou de questionário ao sinistrado e ainda a que decorreu da presença de eventuais testemunhas do acidente.

–  –  –

Com esta metodologia procura-se investigar eventuais correlações entre variáveis que directamente quantificam ou qualificam os AT e todas as outras variáveis caracterizadoras da população em estudo. Pretende-se igualmente abordar aspectos de segurança e higiene no trabalho importantes para a compreensão do estudo. As variáveis seleccionadas basearam-se nas informações dos modelos de participação e de investigação dos AT, nomeadamente em termos de identificação dos sinistrados, caracterização dos acidentes de trabalho (tempo e espaço), consequências físicas no trabalhador, assim como nas causas associadas à ocorrência dos acidentes.

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Após a recolha dos dados procedeu-se a uma análise factorial das correspondências (AFC) a qual, sendo um dos métodos factoriais da análise de dados integrados no domínio da estatística multivariada, é uma técnica essencialmente descritiva e adaptada por excelência ao tratamento de dados contidos em quadros muldimensionais. É possível, no âmbito da AFC, conduzir o tratamento de dados através da análise factorial das correspondências binárias (AFCB) que, sendo uma variante da AFC, é aplicada com particular propriedade aos dados de questionários. Na perspectiva desenvolvida por Benzécri (Benzécri, 1973) e aqui assumida neste trabalho, a AFCB constitui um método que privilegia a formulação dos dados de partida em quadros disjuntivos completos, permitindo desta forma a consideração simultânea de variáveis de diferentes naturezas. Considerando que a matriz de dados inicial continha variáveis expressas em diferentes métricas (por exemplo a variável idade, medida numa escala intervalar e a variável categoria profissional, medida numa escala nominal), foi necessário assegurar a homogeneidade das variáveis através de uma prévia codificação dos dados de partida. Esta codificação, que passou pela transformação de algumas variáveis mensuráveis em variáveis ordinais subdivididas em várias classes (aqui designadas por modalidades da variável). Se designarmos por X a matriz de n linhas (n indivíduos) por p colunas (p modalidades), preenchida em termos de presença - ausência através da seguinte codificação binária;

1 se o indivíduo i ocorre na modalidade j  xij  X xij  , 0  no caso contrário  é possível construir o quadro de descrição lógica (na tabela 2 apresenta-se um pequeno exemplo, limitado no número de

amostras e de variáveis/modalidades, da matriz de dados codificada em disjuntiva completa) de tal forma que:

Tabela 2 – Quadro de descrição lógica (presença - ausência), matriz de dados codificada em disjuntiva completa.

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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A AFCB permitiu-nos identificar, através da interpretação dos seus outputs (projecções das modalidades e indivíduos nos planos factoriais), não só o sistema de relações no interior de cada um dos conjuntos formados pelas modalidades (colunas da matriz) ou pelos indivíduos (linhas da matriz), mas também os sistemas de relações conjuntos existentes entre modalidades e indivíduos. A interpretação das projecções nos planos factoriais, baseia-se num conjunto de regras que pretendem evidenciar as relações mais importantes existentes nos dados de partida “...a interpretação dos gráficos faz apelo a conceitos topo-morfológicos, ligados à posição relativa das projecções da nuvem inicial no espaço dos factores retidos e à própria forma sugerida pelo conjunto dessas projecções...”, (Garcia Pereira, 1990).

Da análise e interpretação aos resultados obtidos, na Figura 1 ilustram-se apenas, a título de exemplo, um dos inúmeros

outputs obtidos (Vieira, 2009), foi possível identificar, entre outras, as seguintes correlações entre modalidades:

- Encontram-se em forte associação positiva, as modalidades correspondentes aos Auxiliares de Acção Médica (AAM), mais velhos (I5) e cujas descrições associadas aos acidentes ocorridos estão ligadas às modalidades movimentação manual de cargas (Dmmc), transporte de doentes (Dtd) e manipulação de máquinas e equipamentos (Dmeq). Associado a este grupo de modalidades, em forte correlação positiva, ocorrem ainda as várias modalidades que especificam a parte do corpo atingida, pernas (Pper), tronco anterior (Ptan) e tronco posterior (Ptpo). As modalidades de risco mecânico (Rmec), de acidentes que implicam uma incapacidade temporária absoluta (Inca) com recurso a uma consulta (Csim) apresentam igualmente uma forte correlação positiva com as modalidades anteriores;

- Projectam-se em associação positiva as modalidades correspondentes às categorias profissionais dos médicos e enfermeiros (Med e Enf), mais novos (I1), cuja tarefa no momento do acidente passa pela que é descrita pelas modalidades manipulação de dispositivos corto-perfurantes (Dcp) e prestação de cuidados aos doentes (Dcdo). O risco destes profissionais passa essencialmente pelo risco biológico (Rbio), com os olhos e os dedos como sendo as partes do corpo que são particularmente atingidas (Polh e Pded). Os acidentes ocorridos com estes profissionais, normalmente não implicam uma incapacidade (Isin) e raramente são objecto de uma consulta formal por parte do acidentado (Cnao).

Figura 1. Exemplo de resultados obtidos em AFCB.

Projecção das variáveis no Plano Factorial (F1, F2) A análise da figura 1, permite ainda estabelecer uma forte associação entre algumas tarefas, partes do corpo atingidas e o risco associado. Assim, é possível verificar uma forte associação entre os acidentes de trabalho relacionados com o risco químico (Rqui) durante o transporte de cargas e produtos (Dtcp), a lavagem de material (Dlm) e na higienização dos doentes (Dhd), sendo as mãos (Pmao), os pés (Ppes)e a cabeça (Pcab) as partes do corpo mais atingidas. Por oposição existem acidentes associados ao risco ergonómico (Rerg) durante a realização da tarefa de movimentação manual de doentes (Dmmd), sendo as partes do corpo mais atingidas a coluna (Pcol) e os braços (Pbra).

Na tentativa de investigar uma hipotética periodicidade semanal e/ou mensal dos acidentes, foi concebida uma abordagem baseada numa visão frequêncista do fenómeno em estudo A hipótese de investigação estabelecida previa uma confrontação, descriminando os meses e os dias da semana, entre o número de acidentes registados num determinado mês ou dia de semana e o número de acidentes esperado na hipótese de independência (leia-se equiprobabilidade de um acidente num determinado mês ou dia da semana) do número de acidentes em relação ao mês ou ao dia da semana em estudo. A existirem diferenças estatisticamente significativas entre os valores observados e os valores esperados, poderse-ia inferir pela existência de um desvio à “normalidade” do número de acidentes por mês ou por dia da semana.

Considerando os valores observados e dos valores esperados na hipótese de independência foi possível realizar um teste de hipóteses através de uma simples prova de 2.

4. CONCLUSÕES Uma das principais conclusões é o facto de o maior número de acidentes ocorrer por picada, sendo, portanto o risco biológico o factor de risco mais presente como consequência das tarefas que a maioria dos profissionais desenvolve em meio hospitalar. É claramente possível estabelecer uma diferença entre os acidentes, atendendo à idade, nível de escolaridade, categoria profissional, relação jurídica no trabalho e antiguidade na instituição, do profissional de saúde envolvido num acidente de trabalho. Existe uma evidente associação entre a tarefa que estaria a ser realizada no momento do acidente, a parte do corpo atingida, a categoria profissional e a gravidade do próprio acidente (esta última medida de forma indirecta pelas variáveis que qualificam o tipo de incapacidade, a necessidade de internamento e de consulta). O número de acidentes não é estatisticamente independente do dia da semana.

5. REFERÊNCIAS Benzécri, J.P., (1973) - L’Analyse des Données, Dunod, 2 Vols, Paris.

Pereira, H. G., (1990) - Análise de Dados Geológico-Mineiros. Aplicações e Estudo Metodológico, tese de Agregação, Instituto Superior Técnico, Lisboa.

Vieira, C. (2009) - Acidentes de Trabalho em Meio Hospitalar e sua Relação com Riscos Profissionais, tese de Mestrado, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

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Usability principles applied to the design of a social benefit internet portal Viviani, Carlosa, Castellucci, Ignaciob, Straume, Askanc a

Universidad Técnica Federico Santa María, Av. Federico Santa María 6090, Viña del Mar, Chile, e-mail:

carlos.viviani@usm.cl ; b Universidad de Valparaíso, Carrera de Kinesiología, Facultad de Medicina, Chile, e-mail:

icastellucci@gmail.com, c Centro de Innovación Techo Para Chile, Departamental 440 San Joaquín, Santiago, Chile, email: astraume@untechoparachile.org

1. INTRODUCTION The segregation of public housing in developing countries brings as a consequence a socio-spatial exclusion, where large areas of the population are barely provided with the necessary services and products, being the more important the lack of active social support nets, such as quality educational and health facilities, good and stable work opportunities, legal and social advice, among others; all of them considered a source of wealth for their own (World Bank, 2007). This segregation it is increased by the digital gap due to the lack of access to web connectivity by the population living in peripheral urban areas, thus putting further away those valuable opportunities to the people that need it most (Mideplan, 2006).

It is well known that new technology can confuse people rather than helping them, up to the point of making tasks more difficult and irritating (Hall, 2001). For that reason if a successful design it is to be achieved, both easiness of use, efficiency and a pleasant experience must merge into a determined system (Nielsen, 1994a; Norman, 2002; Shackel, 1989).

Usability can be defined as how well users can use the different functions of a product (Nielsen, 1994). In order to succeed with Nielsen´s statement it is necessary to account for the huge diversity present among people such as skill level, social background, motivations, personality, culture and working stiles, making a fundamental step in developing virtual systems focusing the process early on end users (Schneiderman, 2004).

The aim of this study was to generate a web based social integration tool for the most impoverished neighbourhoods of Chile applying principles of usability and participatory user centered methods, in order to achieve optimum performance and systems´ use.

2. METHOD

2.1. Sample In the three tests, 24 users from small peripheral urban area in the Santiago region were tested (18 female, 6 male), with ages ranging from 14 to 48 years old (mean 27.1±11.7). The best results come from testing no more than 5 and no less than 2 user, and running as many small tests as possible (Nielsen et al., 1993). After giving written and verbal information about the study to the participants, written authorization was obtained from them. It should be noted that the sample was a sample of convenience.

Their educational level was diverse: from school students and housewives with unfinished elementary school. The selection was based on the information that housewives run the critical operation of the house and that secondary students use the most the computer, and not many go to tertiary education due to the lack of opportunities (Centro Innovación, 2009). These groups had diverse needs regarding computer and internet use, as well as computer skill level.

Based on this diversity is that 4 main users (housewives) and 4 secondary students were selected for each test. In testing multiple groups of disparate users the overlap between observations will ensure a better outcome from testing a smaller number of people in each group, where 3-4 from each category if testing 2 groups of users is the ideal (Nielsen et al., 1993). In this study, the main persona was the housewives group, labelled as “weak” since in Chile this demographyc group (over 18 years of age and lower income quintiles) had never used a computer (Mideplan, 2006).

2.2. Procedure Testing procedure was done according to ISO 25062:2006. The development of the contents and information structure was done based on the results of focus groups done by J-PAL Latam. The main end user identified was the housewife, who carries out most of the high impact tasks for the home, which is providing the main income, seeking for education and healthcare options (Centro Innovación UTPCH, 2010; J-Pal Latam, 2010 focus groups). High school and tertiary students usually used internet to seek information for homework’s, download music and usually helped their mother to find information (Centro Innovación UTPCH, 2009). A Persona was developed for the housewives in order to guide the design team (Preece et al, 2007; Nielsen, 1993).

Based on these findings those tasks were transformed into scenarios with tasks related to finding healthcare, education and work information (ISO 25062:2006; Nielsen, 1994a; Potosnak, 1988; Preece et al., 2007). The tasks can be seen in table 1. Task 4 under “Work” was only performed by housewives. Task 2 is identical but depending on the subject, student or housewife, they were assigned to search for a degree or a childcare center respectively, based on their needs.

–  –  –

Subjects had to fulfil the tasks asked from them using the interface. The scenarios were read out loud, after the instruction to proceed, time was measured using a stopwatch, stopped after each task was finished and time noted. The Think Aloud technique was used during the test to get insights on issues (Preece et al 2007). This was complemented by the completion of a user satisfaction questionnaire with a debriefing part were subjects could comment openly on their thoughts about their experience (ISO 25062:2006, Nielsen 1994a, Preece et al, 2007, Shneiderman, 2004).

In total three user tests were performed, the first two with a paper based low fidelity prototype and the third prototype was done with a fully operational functional prototype on a netbook device (Kelley, 2001; Preece et al, 2007). Eight subjects per testing were used. All three tests were performed at the subjects’ houses. The first two tests were compared fully between categories since it would be invalid to compare paper based performance (eg. time) with those of a fully functional prototype. However, some usability issues found using the high fidelity prototype can be compared with the ones on the low fidelity prototype, like not understanding words, abbreviations or similar (Nielsen, 1994 a; 1994b;

1994c).

2.3. Outcoming measures Efficiency, Efficacy and Satisfaction/Ease of use were the main outcomes for every test (ISO 25062:2006). The specific usability metrics used for each criteria can be seen in Table 2.

–  –  –

Efficiency results for the first user test (T1) and the second user test (T2) were compared using the geometric mean, showing percentual values of positive or negative performance (Nielsen, 2001).

All issues found during the user tests were noted in an Issues List, describing the issue, rating its severity and the heuristic that it violated (Nielsen, 1994 b; 1994c).

3. RESULTS AND DISCUSSION

3.1. Efficiency After the redesign of the first paper based prototype overall efficiency results increased by 29 % on the housewife´s group, however decreased 9% in the students’ group. Housewives had higher total task completion mean time (Test 1 = 439 s; Test 2= 371s) than students (Test 1= 306 s, Test 2= 295 s).

3.2. Efficacy Completion rate was kept at a 100% without assistance in the first two tests for the two groups. This is very important since more that time subjects in a non working environment want to achieve goals in a reasonable time (Nielsen, 1994;

2001a; 2001b)

3.3. Satisfaction and easy Results from the questionnaires and debriefing showed that users were at least satisfied and found at least easy to interact with the paper based prototype. With the fully functional netbook prototype all subjects referred to be at least satisfied with it but regarding ease of use 4 out of 8 subjects found it not too easy and not too difficult to use, while the other 4 found it at least easy

3.4. Issues List After the second iteration many of the issues found on the first test disappeared, however at the moment of doing the third test with a high fidelity prototype (netbook) an old issue reappeared related specifically with information visibility and a too small font size, and a new one related to the use of mouse pad.

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4. CONCLUSIONS Application of usability principles mixed with user testing and even more, user centred design can enhance performance and achieve optimum levels of user satisfaction and ease of use. Good presentation for some users may not be ideal for others. Netbook personal computers may not be an optimum hardware to present information, especially for low literacy users who take longer to read and are not familiarized with computer use (Nielsen 2005).

5. ACKNOWLEDGMENTS We would like to thank to Julian Ugarte, Director of Centro de Innovación de Un Techo Para Chile and the Antumalal community for letting us to play a part in this project.

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